Conservação dos Oceanos

E quando tudo o que sobrar forem fotos?

Todos os dias vemos fotografias de paisagens lindíssimas. Seja na internet, em revistas ou até mesmo no álbum de fotografias de um familiar, há imensos sítios paradisíacos que desejamos, um dia, poder visitar. E se isso deixar de ser possível?

Posted on / by Patricia Coelho / in Conservação dos Oceanos

E quando tudo o que sobrar forem fotos?

Imagine que acabou de acordar e a primeira coisa que os seus olhos vêm é o azul límpido e hipnotizante do oceano que tem à sua frente. A água é tão clara que consegue ver os peixes a nadar do seu quarto. Parece um sonho tornado realidade, certo? Mas e se, ao invés dessa paisagem, encontrasse precisamente o oposto?

Os oceanos representam mais de 70% da superfície da Terra. Mais do que uma casa para o ser humano, eles são a casa de 50% das espécies que conhecemos. À partida estas percentagens trazem apenas notícias positivas, provavelmente informação da qual já todos temos conhecimento. Resta então dizer que, não só os oceanos albergam todas estas espécies, como também a maioria dos poluentes lançados para o ambiente.

Entre o lixo marinho, os resíduos de plástico são a fração mais representativa e poluente. Por ano são lançados para o oceano 13 milhões de toneladas de plástico.

Nadar com os golfinhos parece estar fora de moda. Hoje, são as garrafas, as embalagens, as palhinhas, as correias de plástico e os materiais de pesca a melhor das companhias. Porém, o perigo do plástico não acaba por aqui. Já conhece os microplásticos? Por ação do sol e do movimento das ondas, o plástico que se encontra no oceano vai-se degradando. Isto é, com o passar do tempo, o plástico dissolve-se em pequenas partículas que, ao atingirem os 5 milímetros, formam o que se chama de microplástico. E, neste caso, quanto mais pequeno pior. Mas não é só da degradação que surge o microplástico. Ele também vem da sua roupa preferida e do creme hidratante que tem deixado a sua pele em perfeitas condições.

 

Mas afinal, qual é o problema destes microplásticos? Não só eles têm uma capacidade elevada de absorção dos contaminantes do meio ambiente como também estão a contribuir para a morte das espécies. Devido ao seu tamanho microscópico, muitos são os animais que confundem este lixo com alimentos.

De acordo com o National Oceanographic and Atmospheric Administration, morrem cerca de 100 mil mamíferos por ano – assim como milhões de aves, tartarugas marinhas e peixes – devido à ingestão deste lixo. E não são só os animais que estão em perigo. Ao consumir estes animais, também o ser humano fica em risco.

Apesar de parecer saído de um filme de terror, esta é uma história que ainda pode ter um final feliz. Desde a reciclagem até à extinção ou redução do uso de plástico, várias são as medidas que pode adotar. Se quer ver com os seus próprios olhos aquilo que só tem visto em fotografias, esta é a altura certa para contribuir e ajudar a que sobre alguma coisa para contar a história.