Intuição Humana

Um projeto local com impacto global

No último capítulo das Conversas EQ a mensagem fica clara: há que chegar ao coração das pessoas para que entendam a importância de proteger os oceanos.

Com o estuário do Sado como pano de fundo, Garrett McNamara dá-nos a conhecer a cara por trás da Ocean Alive, a primeira cooperativa em Portugal dedicada à proteção do oceano. A bióloga marinha Raquel Gaspar recebeu o surfista de ondas gigantes no seu “escritório” para lhe falar de pradarias marinhas e como o projeto age para a sua proteção. “A preservação deste tipo de florestas marinhas é vital para a nossa sobrevivência”, alerta Raquel Gaspar, porque nos fornecem oxigénio, sequestram carbono a uma taxa trinta vezes superior à das florestas terrestres, limpam a água, são um bercário para o peixe e marisco que comemos e protegem a costa da erosão.

A conservação deste ecossistema, é realizada em conjunto com as mulheres da comunidade local – apelidadas de “guardiãs do mar” – criando novas profissões que integram atividades educativas, de sensibilização e mudança de comportamentos, mas também contemplam o mapeamento e a monitorização deste habitat em colaboração com cientistas. Ao participar nestas atividades as mulheres têm um papel ativo e recebem rendimentos complementares à sua ocupação principal. Este é um exemplo do tipo de sinergia económica e ambiental que pode e deve ser criada, promovendo o desenvolvimento económico sem prejudicar o meio circundante e as pessoas que dele dependem.

Raquel Gaspar | Bióloga marinha e fundadora da Ocean Alive

Mergulho para a inovação

Com a preocupação de envolver a comunidade local na proteção dos oceanos, Raquel Gaspar, bióloga marinha e fundadora da Ocean Alive, procura com este projeto único envolver especificamente as mulheres na conservação das pradarias marinhas. Passou quase 20 anos a monitorizar a população de golfinhos do estuário do Sado e ao longo deste processo fotografou-os com o intuito de identificar e modelar o processo de declínio da população destes seres no estuário do Sado. Para além de ter escrito livros infantis sobre a vida marinha, é exploradora da National Geographic, onde juntamente com a sua equipa trabalha na conservação da Reserva Natural do Estuário do Sado.

O futuro passa pelas nossas mãos

Intuição ao serviço de um bem comum

Não podemos destruir os ecossistemas que tanto nos beneficiam. Ao preservarmos o meio ambiente, seremos recompensados.

A relação que o ser humano tem com a Natureza é, predominantemente, marcada pelo domínio e desrespeito do Homem perante o meio em que se insere. Pode parecer uma afirmação demasiado forte, mas é urgente encarar a realidade e a urgência de alterar este paradigma. As preocupações com as mudanças climáticas e os seus impactos no futuro do planeta não são infundadas. É importante fazer o enquadramento da sustentabilidade, não apenas como conceito abstrato, mas sim de um modo prático, com uma estratégia de transformação de nós próprios, dos outros e do mundo.

A conservação dos oceanos e dos recursos marinhos são uma exigência para um futuro sustentável

O nosso planeta já dá sinais do desgaste que sofre pela ação humana e a conservação dos ecossistemas marinhos, bem como a proteção e o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, são ações que devemos assumir no dia a dia, se queremos reverter o desgaste da Terra e minimizar a elevada perda de biodiversidade. Nesse sentido, a intuição serve como alicerce na hora de tomar decisões. É uma parte da essência do ser humano que pode construir um futuro, contrariando séculos de comportamento destrutivo.

Conversas EQ: Sustentabilidade

No último episódio das Conversas EQ, Garrett McNamara aborda o tema da intuição humana ao conhecer as histórias das Guardiãs do Mar.